O chão do quarto repleto de papéis, alguns amassados, outros rasgados, e todos carregados de esboços de possíveis cronicas, histórias bobas e potenciais confissões em forma de poema. Há muito tempo eu não escrevia, provavelmente tempo demais, e, sinceramente, pra quem tem o costume de brincar com palavras desde antes da alfabetização básica quase dois anos de omissão literária tem um peso imenso.
Sempre escrevi para viver, sempre, meus maiores consolos sempre estiveram em páginas em branco e todo tipo de coisa que minha alma ousava sentir se materializava na ponta de um lápis preto bem gasto pelo uso excessivo. Durante grandes tempestades e longas calmarias eu descontava nas palavras sorrisos, alegrias, pesares, medos, tristezas e lágrimas carregadas de dor que só eram derramadas metaforicamente.
Não que escrever fosse um tipo de milagre que sempre curava minh'alma envolvendo- me em um estado de felicidade plena, essa nunca foi a questão, o grande fato é que escrevendo eu me sentia livre, seja para perdoar meu próprios pecados ou aceitar minhas (muitas) limitações. As palavras nunca se importaram com as minhas evidentes fragilidades ocultas ou com meus vícios e manias, elas nunca me recriminaram e nem me deixaram pra fora de casa em noites de chuva e tardes de vendaval.
Assim, agora posso revelar o objetivo desse blog, que é buscar em doses diárias, semanais ou até mesmo mensais essa absolvição, esse conforto e a individualidade que as palavras sempre me ofereceram, até o momento em que minha estúpida rotina e o cansaço me obrigaram recusar.
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